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Óbidos: a garganta do rio Amazonas

Foto: Ítalo Torres/Secom

“Debruçada no verde da ribeira, na garganta barrenta do rio-mar, dos pauxis foi aldeia e dos colonos, núcleo militar”. É assim que o cancioneiro da região define o último destino dessa nossa jornada de 69 dias pelo Baixo Amazonas. Óbidos, aqui estamos! \o/

E verdade seja dita, viemos na expectativa de encontrar mais uma dessas cidades que encantam pelas belezas naturais e pelas incríveis paisagens, mas chegando aqui, foi na história que enxergamos outros tantos motivos para sentir ainda mais orgulho dessas terras paraenses banhadas pela água doce.

Mas, ok, a gente admite: Óbidos não deixa nada a desejar. Assim como as outras 18 cidades que visitamos, a terra dos Pauxis, localizada na parte mais profunda e estreita do rio Amazonas, também tem seu charme e, entre ladeiras, casarios e ruas estreitas, ela faz questão de deixar à mostra sua tradição, importância e riquezas.

Foto: Petterson Farias/Secom

1.100 km distante da capital, Óbidos tem na colonização portuguesa a sua origem. Foi a partir de um forte, instalado no estreito que dá para as águas do rio gigante e barrento, que a aldeia virou ponto estratégico e, consequentemente, cidade imponente. Ainda no século XVII, era por aqui que a Coroa Real impedia a entrada de inimigos, cobrava seus impostos, impedia o contrabando de drogas do sertão e a captura de índios, assegurando assim seu domínio em solo brasileiro.

Foto: Petterson Farias/Secom

De lá para cá, a cidade já passou por inúmeras transformações e, distante dessa origem militar, hoje, seus 50 mil habitantes vivem, sobretudo, da pesca, pecuária e comércio, mas não precisa ser tão atento assim para se deparar, a cada esquina, com resquícios do passado na arquitetura das casas, ou se surpreender com as histórias que os nativos orgulhosos contam. E mesmo que digam por aí que faltam bases científicas e acadêmicas para comprovar tudo o que se ouve por aqui, quem ousa duvidar dos contos, causos e lendas obidenses? Óbvio que ninguém.

Ainda assim, o que se vê é uma tentativa conjunta de resgate, comprovação e compilação de tudo o que esse povo já vivenciou e construiu. E parece que tem dado certo. A história da cidade, por exemplo, já virou disciplina obrigatória nas escolas públicas e a expectativa é que a consciência histórica seja generalizada, para que todos percebam a representatividade de Óbidos na narrativa brasileira. Legal, né?

Foto: Ítalo Torres/Secom

E é numa dessas escolas que a Caravana Pro Paz atende a sua população, entre os dias 17 e 20 de dezembro. No porto da cidade, serviços médicos estão sendo oferecidos e na Escola São José, a equipe de cidadania segue emitindo documentos, como CPF e carteira de identidade gratuitamente.

Embora cansados, após 2 meses de viagem, é com grande alegria que a gente se aproxima do fim, satisfeitos, não só por levar cidadania às populações mais distantes do Pará, mas também pela oportunidade de conhecer e mergulhar nessa imensidão de natureza, pessoas, relatos e histórias que só o Baixo Amazonas tem. É inegável o valor disso para os mais de 200 profissionais que se revezaram durante essa jornada.

Quanto à Óbidos, a mais portuguesa das cidades paraenses, nossa reverência pelo seu valor histórico, arquitetônico, natural e cultural. =D

Foto: Ítalo Torres/Secom

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